quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Terrorismo passa por Portugal

Afinal haviam (?) Bases da ETA

Ao contrário do que o Governo anunciou, denunciado e contrariado em artigo neste blogue, há mesmo bases de terroristas em Portugal!

Portugal e Espanha estão trabalhar em cooperação contínua com «vários cenários» sobre a possibilidade de existência de estruturas da ETA em Portugal, informa a Lusa.
«A colaboração entre as autoridades portuguesas e espanholas é excelente e contínua, e há inclusive uma relação pessoal entre as autoridades, tanto ministros, como direcção geral e secretariado», declarou o director-geral da Polícia e Guarda Civil espanholas, acrescentando que a colaboração entre os dois países está a causar pressões sobre a organização basca.
Relativamente à possibilidade de existirem bases da ETA em Portugal, Francisco Javier Velázquez López adiantou que estão a explorar todas as possibilidades. «As forças de segurança trabalham sempre com vários cenários», explicou.
Velázquez López recusou-se a comentar a existência de mais suspeitos do que os dois já referidos pelo Ministério do Interior espanhol. Comentando a descoberta da vivenda com explosivos encontrada nos arredores de Óbidos, o director insistiu tratar-se de uma importante estrutura logística da ETA.
«É evidente que havia uma base operativa que continha centenas de quilos de explosivos e que se complementava com o que ficou na carrinha que foi travada em Zamora pela Guarda Civil», afirmou, revelando uma «imensa satisfação por parte das autoridades espanholas» pela descoberta.
«Temos falado durante estes dias continuamente com as autoridades portuguesas, a quem agradecemos a sua actividade e sublinhando uma vez mais que a colaboração entre as forças de segurança de Espanha com França e com Portugal geram uma maior pressão sobre a organização terrorista», afirmou Velázquez López.

ETA: base de Óbidos era «fundamental»

O director geral da Polícia e Guarda Civil espanholas afirmou esta segunda-feira que a operação das autoridades portuguesas em Óbidos permitiu «eliminar uma base logística fundamental para a organização terrorista ETA em Portugal», diz a Lusa.
«Quero agradecer muito especialmente aos representantes e Governo de Portugal pela excelente operação desenvolvida nos últimos dias, e que representou uma investigação primeiro e depois a detecção de centenas de quilos de explosivos», disse Francisco Javier Velázquez López.
A operação em Óbidos «representou o eliminar uma base logística fundamental para a organização terrorista ETA em Portugal», frisou, ao intervir na abertura do 3.º encontro de coordenação do SCEPTYLT (Sistema de Controlo e Protecção de Explosivos para a Prevenção da Luta contra o Terrorismo), em Madrid.
«A colaboração entre as forcas de segurança com Portugal, como aconteceu no passado com Franca, revela a identidade de interesses e objectivos e a capacidade de intervenção imediata em muitos casos, o que se traduz num decapitar das capacidades da organização terrorista ETA», acrescentou.

As armas do crime

Sabe o que os seus filhos andam a fazer na internet?


Já viu as fotos que os seus filhos têm nas redes sociais? Sabe com quem falam na net?

Provavelmente não sabe.
84,1% dos pais pensam que os filhos estão a estudar na internet – quando afinal estão nos chats. Se tem dúvidas, confira. E considere que estes conselhos são para os pais menos atentos.

Controlo parental: accione o software de controlo parental e bloqueie sites ou conteúdos indesejados. O Windows tem estes programas por defeito e há mais na internet. Mas saiba que também há desbloqueadores fáceis de encontrar no Google. Verifique com regularidade se os filtros estão activos.
Conhecer: sabe o que o seu filho faz na internet ou pensa que sabe? Um estudo do Projecto EU Kids Online, de 2008, concluiu que os pais portugueses são os que menos conhecem o que os filhos fazem online. Quando dizem que estão a estudar é possível que estejam no YouTube. 84,1% dos pais acreditam, mas eles estão nos chats.
Ensinar: a máxima “não fales com desconhecidos” é velha mas continua a servir. Às vezes os miúdos não entendem que publicar fotos à porta de casa constitui um risco, por isso os pais devem dar essas dicas desde cedo. Não é proibir, é explicar porque não se deve dar o número de telemóvel.
Ficar alerta: mudanças súbitas no comportamento ou na aparência indiciam problemas e é provável que venham na internet. Às vezes é só uma fase, outras vezes é um homem de 25 anos que corteja uma adolescente de 13 e a incita a pintar os lábios de vermelho. Ou um caso sério de cyberbullying.
Falar: há pais que compram um computador para os filhos e nunca perguntam mais nada. Não seja um destes pais. Manter as linhas de comunicação abertas parece conversa de panfleto mas é importante.
Ver: quando se trata de crianças ou pré-adolescentes, os especialistas avisam que o computador deve estar na sala e não no quarto. Há poucos motivos para que um miúdo de dez anos exija privacidade total quando navega na internet. Ou então não se esqueça de ver os relatórios do controlo parental.
Limitar: tal como não é razoável deixar crianças ver cinco horas seguidas de televisão, também não é deixá-las usar a internet a tarde toda. É aconselhável negociar um limite diário de uso e garantir que é cumprido. Nenhum bem pode advir quando uma criança se senta horas a fio à frente de um computador.
Atenção aos telemóveis: não serve de muito proibir a internet se o seu filho tem um telemóvel com acesso ilimitado. Tudo o que se vê num computador está disponível através do telemóvel; ou da consola. Os filhos mentem por medo ou respeito com facilidade e podem estar a contornar as suas regras sem que se aperceba.

Os rsicos que eles correm... mesmo quando acham que não


Fotos roubadas: ser uma estrela do Hi5 pode ser muito atractivo, mas publicar fotos em biquíni ou com a língua de fora numa garrafa de vodka vai atrair as pessoas erradas. Essas fotos podem ir parar a sites de pornografia e suscitar a atenção de terceiros com tudo menos boas intenções.
Ser enganado: é o amigo da mãe que precisa do número de telemóvel, o rapaz engraçado que quer ir beber café, a miúda que tem uma consola novinha em folha para vender. A hipótese de ser enganado na net é tão alta que a regra deve ser desconfiar. Todos mentem na net.
Cyberbullying: o perfil era um sucesso, mas de repente começaram a chover comentários maus. Chamam nomes, ameaçam, insistem. A melhor maneira de lidar com isso é não responder, NUNCA. Alinhar no jogo só piora a situação, garantem os especialistas.
Cair em armadilha: escrever o nome da escola em que andam? Nem sequer o nome verdadeiro deve estar no Hi5 e no Facebook. O que impede alguém de esperar na porta da escola? Ou de saber tanta informação sobre uma criança que pode passar por seu tio na recepção?
Dar cabo do pc: ele tem um antivírus e mesmo assim aceita o pedido de amizade de um desconhecido no Facebook, que envia links estranhos? Cuidado também com os jogos do Facebook e os atalhos. Nunca se sabe o que vai entrar pela porta de trás do computador.
Ser humilhado: enviar um MMS com fotos em roupa interior pode não ser boa ideia, mesmo que a paixão seja grande. No dia seguinte, essa foto pode estar no telemóvel de toda a gente na escola. E ir parar ao mural do teu pior inimigo no Facebook. Uma vez na internet, não há nada a fazer.
Pôr os pais em risco: se calhar o joão12 não tem 12 anos e não quer saber de ti para nada. Quer é saber quando é que os teus pais estão fora e se costumam dar a volta à chave quando vão passear o cão. Ou se têm dinheiro para te comprar uma PS3 e um iPhone pelos anos. Porquê? Talvez lhes façam uma visita.

Face Oculta

PS acusa PSD de usar "crime" para pôr em causa instituições políticas e financeiras

O PS acusou ontem o PSD de basear-se num crime - a divulgação de escutas do processo "Face Oculta".

Os socialistas dizem que o PSD não teve "pudor em usar um crime" para pôr em causa a imagem das instituições políticas e judiciais, considerando mesmo que Paulo Rangel teve comportamento "indigno".
Estas posições foram assumidas pelo presidente do Grupo Parlamentar do PS, Francisco Assis, em conferência de imprensa, um dia depois de o eurodeputado social democrata Paulo Rangel ter falado no Parlamento Europeu sobre um plano do Governo português para controlar a comunicação social no país.
"O eurodeputado social democrata Paulo Rangel fez declarações absolutamente indignas no Parlamento Europeu, colocando em causa a imagem de Portugal perante toda a Europa por razões falsas. Portugal é um Estado de Direito, onde felizmente há um respeito absoluto pelas liberdades públicas e não há nenhum problema grave ao nível da liberdade de expressão", reagiu Francisco Assis.
Na perspetiva do líder parlamentar socialista, o ex-líder parlamentar do PSD, com essas declarações, "passou de uma espécie de estado de claustrofobia, que só ele percebia, para um estado de verdadeiro delírio".
No entanto, para Francisco Assis, as declarações de Paulo Rangel devem ser entendidas à luz de um comportamento político global que disse estar a ser seguido pela atual direção social democrata. "Esta declaração de Paulo Rangel infelizmente não é isolada, tratando-se antes do corolário do que tem constituído nos últimos dias o comportamento de vários partidos, nomeadamente do PSD", sustentou o líder da bancada socialista.
Assis acusou depois o PSD de ter "um comportamento que se caracteriza pela tentativa de pôr em causa a própria imagem das instituições democráticas portuguesas, baseando-se num crime, que é a divulgação indevida e ilegal de conversas privadas, que deveriam ter permanecido na esfera privada".
"Apreciadas no plano judicial, entendeu-se que essas escutas não tinham qualquer relevância criminal e, como tal, deveriam ser objeto de arquivamento. Mas, partindo de um crime, o PSD tenta construir todo um discurso político que põe em causa objetivamente a qualidade da democracia em Portugal e a imagem das nossas principais instituições, sejam políticas, sem as próprias instituições judiciais", acusou.
Neste contexto, o presidente do Grupo Parlamentar do PS fez um apelo "para que não se continue por este caminho, que é perigoso e põe em causa instituições fundamentais da nossa vida democrática".
Na sexta feira, o semanário Sol transcreveu extratos do despacho em que o magistrado do processo considera haver "indícios muito fortes da existência de um plano" em que estaria envolvido o primeiro ministro, José Sócrates, para controlar a TVI e afastar Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz da estação de televisão.
Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo Penedos, assessor da PT, e Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT.
O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas. No âmbito deste processo, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara, José Penedos, presidente da REN - Redes Elétricas Nacionais, suspenso de funções pelo tribunal, e o seu filho Paulo Penedos.

As escutas publicadas no “Sol”

Divulgação foi “acto criminoso e ilegal”

O primeiro-ministro José Sócrates falou ontem à tarde sobre o artigo publicado na última edição do semanário “Sol”.

Sócrates qualificou a divulgação das escutas a Armando Vara, Paulo Penedos e Rui Pedro Soares “um acto criminoso e ilegal, contra a privacidade”. Sem responder a perguntas dos jornalistas, Sócrates rejeitou a ideia de ter existido um “plano” do governo para assumir o controlo da TVI através da PT e lamentou que “não tenha havido um único partido da oposição a criticar o crime praticado pelos jornalistas” do “Sol”.
“Lamento que os partidos não tenham tido pudor e tenham usado esse crime para me atacar”, acusou Sócrates, garantindo que “todos os que referem a existência de uma ligação entre o governo e a PT para comprar o grupo Prisa [sic] estão a faltar à verdade”. “Nunca dei orientação para dar ordem de comprar a TVI”, prosseguiu Sócrates, antes de recordar que “a PT já disse há muito tempo que tinha essa intenção estratégica de entrar na TVI e de forma independente do governo”.
Acusando os partidos da oposição de “não aceitarem o resultado das eleições”, o primeiro-ministro considerou ainda “lamentável” que alguns representantes do PSD não estejam a “respeitar a separação de poderes” político e judicial. “Ninguém pode substituir-se às entidades judiciais ou estar agora a atacar a Procuradoria-Geral da República”, defendeu.O primeiro-ministro considerou que os partidos da oposição têm mostrado, nos últimos dias, uma "clara falta de príncipios", sinónimo de "que vale tudo, que nenhuma regra deve ser observada". "Isto é uma violação do Estado de Direito", disse Sócrates, acrescentando que desta vez os partidos da oposição "foram longe demais".

terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Crónicas Sem Tempo

Os vampiros poisaram no Haiti

O sismo do Haiti, mostrou como o ser humano, continua bastante primitivo e à menor fatalidade mostra bem as garras, revelando os seus acentrais instintos da sua condição animalesca que nenhum verniz consegue permanecer intacto porque a ganância do insaciável capitalismo selvagem, que não olha a meios para atingir os fins.

A maior catástrofe que aconteceu ao Haiti, não foi o Sismo do passado dia 12 de Janeiro de 2010, mas sim o reinado do Ditador “Papa Doc”, que governou aquele País caribenho durante décadas, exercendo uma repressão brutal, com uma policia canibal dos “tom tom macutes”, que tratavam as populações como animais selvagens, usando métodos completamente grutescos, sem que houvesse a minima intervenção estrangeira para pôr termo a tais sinistras práticas. O Sismo é uma consequência directa do regime politico observado no Haiti, imposto pela ditadura da família Duvalier e seus sucessores, até à actualidade, tendo-se hipocritamente mantido um Estado fantasma, cujas sequelas envergonham a suposta avançada civilização ocidental, que sempre fechou os olhos a todos os ditadores, desde que os mesmos fossem alinhados com os Estados Unidos da América, onde ressalta a total anarquia do Haiti. Estado pária, que não é mais do que um Protectorado americano, tal como é Santo Domingo e outros países da região caribenha, com excepção de Cuba que soube livrar-se do jugo ditatorial de Fulgêncio Batista, graças à revolução Castrista que construiu a sua independência suportando por isso um embargo miserável, há 40 anos, mas que é um exemplo para toda a região que já conta com outros países a seguir-lhe as pisadas.
O Sismo no Haiti, para além das graves mazelas provocadas, com uma destruição arrasadora, poderia ter resultado numa mortandade reduzida a metade ou um terço, desde que existissem infraestruturas nas construções, e estruturas humanas nas áreas de segurança com equipamentos adequados à previsão de catástrofes destas dimensões, que nunca se sabe quando e onde podem acontecer. Em qualquer País europeu ou asiático, um terramoto da graduação de 7,3 da escala geológica, provocaria estragos infinitamente menos negativos e tal eventualidade já foi várias vezes comprovada ao longo dos últimos 50 anos, com sismos desta importância, como foi o sismo sentido em Portugal em Fevereiro de 1969 com a mesma magnitude. Ainda em 17 de Dezembro de 2009, foi bastante sentido um sismo de grau 6 e nenhum estrago causou, tendo até a maioria da população portuguesa desconhecido que o sismo tivesse acontecido. Tudo isto, não é tão linear assim, uma vez que se trata de uma matéria de que se sabe muito pouco, e mesmo as maiores autoridades cientificas, afirmam que é quase impossível prever ou saber quando tal evento acontece.
A catástrofe financeira do capitalismo mundial, cujas ondas tsunâmicas se fizeram sentir em 2009, foi prontamente atacada com o laçamento de biliões de dólares e euros, para salvar os Bancos dos roubos que os gestores praticaram, pondo em causa o sistema que tremeu e quase ruiu e jamais recuperará os níveis dos anos das vacas gordas que a partir dos anos sessenta do século XX se estenderam ate ao final do milénio, mas que nesta primeira década do século XXI, a derrocada é por demais evidente, com dezenas de milhões de desempregados e uma economia global ameaçada. Logo a partir do ano de 2001, a gangrena começou a mexer com um sinal bem visível na destruição das Torres gémeas, num ataque cobarde que provocou a morte de cerca de 3 000 inocentes, vitimas de politicas erradas de administrações americanas, que desde que deixaram de ter um rival à sua altura como era a ex-União Soviética, pensaram que o mundo global seria a sua coutada exclusiva. O resultado está à vista, com o assalto ao Iraque e Afeganistão, transformaram o Paquistão num santuário dos muçulmanos radicais, e o Irão numa potência nuclear, com os resultados conhecidos.
Cerca de um mês depois do sismo no Haiti, o País está transformado numa reserva de caça às crianças que perderam os pais e as famílias, assim como familiares vivos que não tendo outro remédio vendem ou fecham os olhos às mafias americanas que sob a capa da religião de diversas igrejas protestantes que proliferam nos Estados Unidos pretendem fazer um tráfico de seres humanos que serão depois utilizados nas mais diversas funções que vão da prostituição, à pedofilia e mesmo à venda de órgãos para transplantes. É a miséria mais degradante para além de outros actos mais sofisticados de ONG que a coberto de organizações de solidariedade social, recolhem donativos em géneros mas sobretudo em dinheiro, atingindo somas astronómicas que não chegam aos haitianos esfomeados e sem guarida que dão um espectáculo ultrajante que as televisões nos mostram quotidianamente. A pobreza e a miséria dos povos foi sempre um campo privilégiado das Religiões que prosperam como cogumelos na razão directa de maior opulência para os falsos beneméritos e da maior pobreza dos cidadãos humilhados e ofendidos que dizem proteger...
O sismo do Haiti, mostrou como o ser humano, continua bastante primitivo e à menor fatalidade mostra bem as garras, revelando os seus acentrais instintos da sua condição animalesca que nenhum verniz consegue permanecer intacto porque a ganância do insaciável capitalismo selvagem, que não olha a meios para atingir os fins, desenvolve a corrupção global que cega mesmo aqueles que apesar das melhores intenções se perdem no labirinto do poder num intricado sistema tentacular que mesmo o sufrágio directo e universal não consegue corrigir. Quando o dinheiro fala mais alto, raros são os que resistem aos Rolexs, aos BMWs e outras raríssimas jóias que servem para comprar a alma humana, apesar da morte ser justa e certa para todos .O maior terramoto vem dos políticos com falta de caracter que governam os povos a seu bel prazer, independentemente das calamidade naturais que são sempre menores, comparadas com a escandalosa malvadez humana.

Manuel Aires

As famosas escutas

Sócrates lamenta "jornalismo de buraco de fechadura"

O primeiro-ministro, José Sócrates, considerou ontem "lamentável" o que apelidou de "jornalismo de buraco de fechadura", baseado em "escutas telefónicas e conversas privadas".

Questionado sobre as notícias dos últimos dias que o acusam de ingerência no caso TVI e de, alegadamente, querer condicionar o Presidente da República, Sócrates recusou contribuir para "essa infâmia".
"Eu não contribuo para essa infâmia, nem para a degradação da nossa vida pública, baseando-se essas acusações e essas notícias em escutas telefónicas", disse, à margem da cerimónia de adjudicação de contratos das redes de nova geração, em Vila Viçosa.
Na edição de sexta-feira, o semanário Sol transcreve extratos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso Face Oculta em que este considera haver "indícios muito fortes da existência de um plano", envolvendo o primeiro-ministro, José Sócrates, para controlar a estação de televisão TVI e afastar Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz. Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo Penedos, assessor da PT, e Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT.
O assunto foi ontem retomado pelo Correio da Manhã, que, com base nos mesmos extratos, diz em manchete "Conspiração ataca presidente", e escreve que "Primeiro-ministro tinha plano para condicionar atuação de Cavaco Silva".
"Eu acho absolutamente lamentável esse jornalismo, que se pode classificar como jornalismo de buraco de fechadura, baseado em escutas telefónicas e em conversas telefónicas que, não tendo relevância criminal, devem ser privadas", frisou o primeiro-ministro.
"Ainda por cima, era o que faltava que eu me pusesse agora na posição comentar conversas privadas de outros. Não o faço", sublinhou, considerando que tal atitude "indecorosa e desprezível".
Na sexta-feira, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, questionado sobre esta matérias, apenas tinha dito que "o Governo não tem naturalmente que dar explicações em matérias em relação às quais não tem nada que lhe pese na consciência". O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas.
No âmbito deste processo, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara, ex-ministro socialista e vice-presidente do BCP, que suspendeu as funções, José Penedos, presidente da REN - Redes Elétricas Nacionais, suspenso de funções pelo tribunal, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA. Esta é a empresa que está no centro da investigação e o seu proprietário, Manuel Godinho, é o único dos 18 arguidos do processo que está em prisão preventiva.

"Todos pela Liberdade"

Blogues mobilizam-se e lançam petição

Autores de blogues de direita e esquerda criticam primeiro-ministro pela "alegada estratégia de condicionamento da liberdade de imprensa em Portugal". Marcaram uma manifestação para quinta-feira, frente ao parlamento e lançaram hoje uma petição.

Depois de o i ter anunciado ontem a realização de uma concentração em frente à Assembleia da República na quinta-feira, convocada por um grupo alargado de autores de blogues de esquerda e de direita, surge agora uma petição pública na internet (www.peticaopublica.com/?pi=P2010N1213) em que se escreve que "o primeiro-ministro não pode continuar a recusar-se a explicar a sua concreta intervenção em cada um dos sucessivos casos que o envolvem."
Assinada pela porta-voz do movimento, Ana Margarida Craveiro, a petição conta, entre outros subscritores, com Vasco M. Barreto, Manuel Falcão, Henrique Raposo, Luís Rainha e Gabriel Silva. "Todos pela Liberdade" é o lema dos peticionários que apelam "aos órgãos de soberania para que cumpram os deveres constitucionais que lhes foram confiados e para que não hesitem, em nome de uma aparente estabilidade, na defesa intransigente da Liberdade."
A manifestação está convocada para as 13h30 de quinta-feira em frente da Assembleia da República. O grupo já tem página no Facebook e um blogue.
Como o i adianta na sua edição de hoje, “Todos pela liberdade, concentração à frente da Assembleia” é o lema que um grupo de autores de blogues políticos lança hoje na internet. Convocam deste modo uma concentração pela liberdade de imprensa em frente ao Parlamento na próxima quinta-feira. Num dos textos que está a ser publicado em diversos blogues e também enviado por email, escreve-se que “o primeiro-ministro de Portugal tem sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião.” Mais: “É para nós claro que o primeiro-ministro não pode continuar a recusar-se a explicar a sua concreta intervenção em cada um dos sucessivos casos que o envolvem.”
Afirmando-se independentes, “da esquerda à direita”, os bloggers dizem que “um Estado de Direito democrático não pode conviver com um primeiro-ministro que insiste em esconder-se e com órgãos de soberania que não assumem as suas competências.”. Em conclusão, adiantavam que “é a liberdade de expressão, acima de qualquer conflito partidário, que está em causa” e os "órgãos de soberania" devem cumprir "os deveres constitucionais que lhes foram confiados (...) na defesa intransigente da Liberdade."

segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Recortes da Imprensa

Uma peça, um problema
por JOÃO MARCELINO

A propósito da Lei das Finanças Regionais, estamos a assistir a uma peça político-teatral.
O Governo, normalmente acusado de despesista, transformou--se no guardião dos bons princípios e da moralidade orçamentais.
A oposição, que tanto tem criticado a tendência para as obras e para os gastos, parece querer fazer a apologia do descontrolo dos dinheiros do Estado.
Estamos perante a política no seu pior: o jogo da ilusão, o oportunismo de ambos os lados.
Primeiro e com toda a verdade: os 50 milhões para a Madeira significam quase nada no mar do nosso endividamento externo (que tem aprovado já um tecto de 19 mil milhões!). O Governo gasta dez vezes mais em pareceres, jurídicos e outros! E, portanto, esta questão só se torna "um princípio" porque, como é público e notório, há aqui uma questão política que se quer potenciar e da qual retirar dividendos. Nada que uma verdadeira negociação, no sentido de um acordo útil neste momento, não pudesse ter evitado.
Também a oposição não está isenta de hipocrisia na sua argumentação de que a nova lei torna mais justa a relação do Estado central com as duas regiões autónomas. Se calhar torna, mas este não é o tempo certo para alterações que podem, no estrangeiro, junto dos nossos credores, ser interpretadas como prova da incapacidade política de Portugal para encetar de novo o combate ao controlo das finanças públicas.
Tudo isto mostra como a actividade política está a bater no fundo - e como a "partidarite" pura e dura continua a sobrepor-se ao interesse geral dos portugueses. O problema, já se percebeu, não é técnico. É de ganhos e perdas na opinião pública. Estamos a falar, como sempre, de intenção de votos no futuro.

Crise de decência
por PEDRO MARQUES LOPES

Afonso Candal, Strecht Ribeiro e Mota Andrade, vice-presidentes do grupo parlamentar do PS, querem que toda a gente saiba os rendimentos de toda a gente.
Entende-se mal o coro de indignação que a proposta levantou. No fundo, é um passo lógico dentro do clima instalado.
Para quê gastar dinheiro com a DGCI, polícias, Ministério Público, tribunais, se podemos transformar cada cidadão num agente de segurança, cada meio de comunicação num tribunal e a opinião pública - seja lá o que esta seja - num júri?
Que não existam dúvidas: acabava-se com as fugas aos impostos e com a corrupção. Acabava-se também com a liberdade, a segurança jurídica e o Estado de direito. Mas que importam estes palavrões, que são apenas conversa de quem está contente com a situação, quando o que de facto importa é a guerra à corrupção e aos que fogem aos impostos?
Que importam uns "direitos de segunda categoria", quando existe a possibilidade de denunciar o ti-po do quarto esquerdo que tem quatro Ferraris, ostenta uma farta cabeleira e ninguém sabe de onde lhe vem o dinheiro nem as sementes capilares, enquanto eu ando de transportes públicos e sou careca?
Que interesse terá o direito à privacidade, se, mesmo condenando publicamente cem inocentes, se consegue apanhar um prevaricador?

Mário Crespo e outros problemas
por ALBERTO GONÇALVES

Embora Mário Crespo seja uma pessoa decente e um óptimo profissional, não sei, não posso saber, se a conversa por ele descrita é verdadeira. A alegada conversa, que se tornou na polémica da semana, terá envolvido o eng. Sócrates acompanhado de dois subordinados, de um lado, e o director da SIC Nuno Santos do outro. Este, segundo as fontes citadas, disse pouco ou nada. Aquele disse umas coisas, entre as quais que Crespo é um "louco" e um "problema" que precisa de ser "resolvido".
Admitamos que a conversa existiu de facto. E depois? Todos os dias, milhões de portugueses, em restaurantes, táxis, paragens de autocarro e centros columbófilos, emitem alívios semelhantes, ou um nadinha piores, acerca do eng. Sócrates. Raros sofrem represálias, excepto por um outro pivô televisivo, um ou outro professor chamado Charrua e uma ou outra directora de centros de saúde de Vieira do Minho. Eu próprio dou frequentemente por mim a tecer comentários sobre o "chefe máximo" do PS, que por acaso também considero um problema a necessitar de resolução. E urgente. A diferença é que, à semelhança de Mário Crespo, posso fazê-lo nos media.
É no mínimo justo que o eng. Sócrates utilize os meios à sua disposição para reagir aos que o atacam. Por isso acho normalíssimo que insulte Crespo nos restaurantes, Manuela Moura Guedes na Assembleia da República e jornalistas avulsos em telefonemas protegidos pelo zelo judicial. Acharia igualmente adequado que o homem não concentrasse a justificada fúria na imprensa e desatasse a responder a taxistas, funcionários públicos e adeptos do Benfica. Quem não se sente não é filho de boa gente, e o eng. Sócrates, que descende com certeza das melhores pessoas do mundo, tem o direito de se sentir tanto quanto quiser.
Os puristas discordam, alegando que, acima de fúrias e sentimentos, está a contenção que se impõe a quem, como o eng. Sócrates, é primeiro-ministro. Pois é. Mas não parece. Nunca pareceu muito e cada vez parece menos.

Ler mais em: http://dn.sapo.pt/

Vigilância costeira

Vem aí o Big Brother para os traficantes

O sistema de vigilância SIVICC vai detectar operações de tráfico de droga e pessoas.

Eram 23 pessoas e cada uma delas tinha pago entre 300 e 1000 euros para sair de Marrocos numa pequena embarcação com destino à Europa. Mohamed Moctar diria, a 17 de Dezembro de 2007, no dia em que o barco foi encontrado à deriva nas águas portuguesas ao largo do Algarve, que o dono da embarcação fez um telefonema e foi recolhido por duas lanchas rápidas carregadas de droga e mantimentos. Tudo se passou sem que Portugal conseguisse detectar as movimentações nas suas águas. Os serviços de informações portugueses discutiram à data a hipótese de os traficantes de droga e de seres humanos estarem a testar novas rotas de entrada na Europa através da costa algarvia.
As informações davam conta de que as alterações nas rotas do tráfico de droga (haxixe de Marrocos e cocaína transportada em aeronaves), e de imigrantes ilegais africanos, qualificavam o Algarve como hipótese nas opções de desembarque. Porquê? A entrada por Espanha estava vedada. O vizinho espanhol tinha montado um sistema de vigilância desde 2005, o Sistema Integrado de Vigilância Exterior, que lhe permitia detectar todos os movimentos nas suas águas territoriais.
Portugal aprendeu a lição. Gastou 25,5 milhões de euros e, a partir deste Verão, terá o seu próprio sistema de vigilância costeira a funcionar no Algarve. Os traficantes, que chegavam com facilidade aos cerca de 600 quilómetros de praias, terão dificuldades acrescidas. A rede já existente do Sistema de Controlo de Tráfego Marítimo, operado pelo Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, em Portugal, vai servir de base à instalação do novo Sistema Integrado de Vigilância, Comando e Controlo da Costa (SIVICC). Serão cerca de 30 postos fixos de observação ao longo da costa, sem contar com os postos móveis. Com o apoio do FRONTEX (agência europeia que controla as fronteiras externas da União Europeia), Portugal poderá agora fechar uma mais importantes portas de entrada de drogas na Europa.
O SIVICC vai monitorizar todos os movimentos através de radares, sensores, câmaras de vídeo e de infravermelhos. Em caso de suspeita, os mecanismos de intercepção serão accionados. O sistema tem componentes de localização, identificação, comunicações, comando e controlo e toda a informação é centralizada e comunicada por transmissores e computadores. Uma das vantagens que proporciona é permitir - apesar de a responsabilidade ser da Força Aérea - monitorizar as aeronaves que chegam clandestinamente a Portugal evitando os radares.
Pronto em 2011 Depois da adjudicação à empresa de capitais espanhóis Indra, o sistema começará a ser instalado em Portugal continental. Até Agosto de 2011, será concluída a montagem do sistema a partir de Caminha até ao Centro do país. Na fase seguinte será coberta a Costa Vicentina e o fecho do sistema implica a ligação entre Norte e Sul. Segundo a GNR, o equipamento a instalar no Algarve já foi testado e começa a transmitir os dados este Verão para um comando centralizado em Lisboa, instalado na Unidade de Controlo Costeiro em Alcântara. A partilha destes dados é feita entre GNR, Polícia Judiciária, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e Polícia de Segurança Pública. O comandante-geral da GNR, tenente-general Nelson dos Santos, determinou que a partilha é "promovida e incentivada". Segundo o coronel António Porfírio, da Comissão de Acompanhamento do SIVICC e director de comunicações e sistemas de informação da GNR, o sistema, semelhante ao espanhol, "tem a vantagem acrescida de permitir a centralização de dados em qualquer lugar que for determinado". Em Espanha, os postos fixos e móveis reportam a quatro centros. Em Portugal, "a Unidade de Controlo Costeiro da GNR vai poder centralizar todos dados do país".

Fim de semana agitado em Loulé

Assalto à Câmara

Levaram duas máquinas fotográficas, dinheiro, sumos e bolos de funcionários.

O departamento de obras da Câmara Municipal de Loulé, situado junto aos Paços do Concelho, na rua do município, foi assaltado na madrugada de anteontem, assim como o bar Speed Squad, a cerca de 50 metros, de onde levaram um plasma, uma consola e dinheiro da caixa registadora.
Em ambos os casos o método de entrada foi por arrombamento de porta. Os ladrões tentaram ainda introduzir-se numa loja próxima dos dois outros alvos, mas a porta do estabelecimento resistiu.
Do departamento camarário foram furtadas duas máquinas fotográficas e, segundo uma testemunha, "dinheiro que os funcionários tinham juntado para registar o Euromilhões e até alguns sumos e bolos que estavam nas gavetas", diz Maria da Luz, comerciante.

Insolvência no horizonte da Alicoop

Esforço para viabilizar a empresa

Em causa está a manutenção de 650 postos de trabalho, se o plano de viabilização do grupo não se realizar.

A Câmara de Silves e várias autoridades locais pedem à banca e ao Governo um esforço para a recuperação da Alicoop, cujo encerramento põe em risco 650 postos de trabalho, dos quais 200 indirectos.
Os trabalhadores da cooperativa de produtos alimentares vão manifestar-se terça-feira junto à sede da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa, para que a instituição inverta a posição de boicote à viabilização da empresa. A decisão foi tomada ontem na sede da Alicoop, em Silves, após uma reunião entre a comissão de trabalhadores da cadeia de supermercados, representantes do Sindi- cato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) e a administração do grupo.
Para a Câmara de Silves, o não apoio às medidas de recuperação da Alicoop "terá um impacto negativo à escala regional, lançando no desemprego muitos silvenses e algarvios, que durante anos tiveram na Alicoop o o seu ganha--pão". Em nota de imprensa, apela também ao "bom senso e à necessidade de se encontrarem medidas urgentes, que contribuam para a boa resolução da situação, permitindo a sustentabilidade da empresa e a manutenção dos postos de trabalho".
A Alicoop, em insolvência desde Agosto, acumula dívidas de cerca de 80 milhões de euros, 20 milhões dos quais a fornecedores. A Concelhia de Silves do PCP e a União dos Sindicatos do Algarve também pedem "medidas" para a viabilização da empresa.

Rusga à droga

Gémeos detidos na posse de droga

Ao todo, nas últimas 24 horas, a PSP deteve 13 pessoas na região suspeitas de tráfico.

Dois irmãos gémeos foram detidos, em Lagos, na sequência de uma busca domiciliária que resultou na apreensão de droga, informou o Comando Distrital de Faro da PSP. Na busca realizada à casa dos irmãos, de 43 anos, suspeitos de tráfico de droga, a PSP de Lagos apreendeu 63 doses de heroína, um telemóvel e 150 euros em dinheiros.
Noutra operação, em Faro, a polícia deteve três homens, com idades entre os 27 e os 35 anos, avança a Lusa. Os indivíduos são «responsáveis pelo abastecimento de vários toxicodependentes na cidade» e que foram «interceptados na posse de cerca de 55 doses de heroína e avultada quantia monetária proveniente da sua actividade». Em Portimão, a PSP deteve dois homens, de 18 e 28 anos, por condução de ciclomotor sem habilitação legal, o mesmo crime que levou à detenção de outra pessoa, de 29 anos, em Tavira.
Ao todo, a PSP deteve 13 pessoas nas últimas 24 horas, na região. Durante a madrugada, a PSP de Faro deteve também dois homens, de 34 e 40 anos, por condução sob o efeito do álcool, que acusaram respectivamente taxas de alcoolemia de 1,38 e 1,40 gramas por litro de sangue.
Ainda em Faro, um homem que disse que se «sentiu ameaçado por um grupo de indivíduos que o tentavam agredir na via pública» e chegou a efectuar um disparo para o ar dirigiu-se à esquadra a relatar a ocorrência, mas acabou detido por ter acusado uma taxa de álcool sangue de 1,74 gramas por litro, revelou a polícia, que apreendeu a arma e recolheu o invólucro deflagrado.
Em Lagos, foi detido um homem de 23 anos, que se encontrava em Portugal em situação ilegal, enquanto em Portimão a força de segurança deteve uma mulher que estava na posse de uma arma branca proibida, que foi apreendida.

Máquina arranca ATM

Buldozer leva caixa multibanco

Mais um ataque a multibanco. Desta vez foi no pacato Barrocal algarvio. Ameixial, foi o cenário preferido dos gatunos.

Uma retroescavadora voltou a ser o equipamento usado para arrancar uma caixa multibanco de uma dependência bancária. Desta vez o ataque do gang do bulldozer, que nos últimos meses tem actuado no Algarve, foi na aldeia serrana do Ameixial, em Loulé, na madrugada de ontem, por volta da 01h45.
O equipamento tinha sido instalado no local há cerca de um mês e estava a funcionar há apenas dois dias. Tinha sido abastecido com dinheiro na terça-feira passada e começou a funcionar no dia seguinte. O assalto terá ficado registado nas imagens de videovigilância da dependência bancária, que já estarão na posse da Polícia Judiciária, que está a investigar mais este caso.
Os ladrões usaram uma retroescavadora de uma empresa de construção roubada a cerca de quatro quilómetros do Ameixial. Os ladrões utilizaram o balde traseiro da máquina para arrancar o ATM e com o balde dianteiro arrombaram o equipamento para retirar a caixa onde está guardado o dinheiro. Nem o aviso de tintagem das notas do ATM fez parar as intenções do gang, que terá fugido em direcção a São Brás de Alportel. Curiosamente a tinta da caixa multibanco foi detectada na alavanca das mudanças da retroescavadora.
Apesar do barulho causado pela viatura pesada, pouca gente se apercebeu do ataque. "Eu ouvi um som de latas a bater, mas pensei que fossem brincadeiras de Carnaval na rua", referiu um morador, que não se quis identificar. A retroescavadora foi deixada no meio da estrada no centro da aldeia. "Nós estamos a fazer a pavimentação da Estrada Municipal 503 e a construir uma ponte na zona dos Vermelhos e a máquina estava estacionada no local", explicou Orlandino Fernandes, encarregado da empresa MJP, proprietária da retroescavadora.

STAL alega despedimentos na Câmara de Faro

Macário nega que vá despedir 160

A polémica estalou durante a greve. O presidente da Câmara de Faro diz que “os sindicatos não falam verdade”.

O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) denunciou ontem que a Câmara de Faro tenha a intenção de não renovar 160 contratos a termo.
A acusação foi-lhe feite durante a greve realizada na semana passada, mas o autarca nega tal possibilidade.
Macário Correia disse à Lusa não querer prestar declarações públicas sobre a matéria, avançando no entanto que a acusação do sindicato "não é verdadeira, nem tem qualquer fundamento".

Control à imigração

24 ilegais detidos numa semana

SEF desenvolveu um conjunto de acções de fiscalização na região algarvia.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) revelou este sábado que deteve 24 estrangeiros no Algarve de 1 a 5 de Fevereiro por estarem em Portugal em situação irregular e notificou 16 pessoas para abandonarem de forma voluntária o país, escreve a Lusa.
Em comunicado de imprensa, o SEF informa que desenvolveu um conjunto de acções de fiscalização e identificação de estrangeiros no Algarve nos primeiros cinco dias deste mês, tendo identificado «1035 cidadãos estrangeiros», «dos quais 24 foram detidos por permanência irregular» em Portugal.
Na sexta feira, o SEF desenvolveu uma operação nos concelhos de Faro, Loulé, Albufeira e Portimão com o objetivo de «averiguar a situação de cidadãos estrangeiros em território nacional», e detectar «eventuais infrações na leis no âmbito da «prevenção e dissuasão da prática criminal», lê-se na mesma nota.
«Entre as 00:00 e as 24:00 foram fiscalizados diversos locais referenciados pela permanência de cidadãos estrangeiros, nomeadamente estabelecimentos de restauração e diversão nocturna, via pública e locais frequentados por cidadãos estrangeiros, referenciados por pequenos delitos criminais».
No final da operação de sexta feira, o SEF identificou 127 estrangeiros dos quais 12 foram detidos por «permanência irregular» em Portugal. O SEF acrescenta que três pessoas foram notificadas para abandonarem o país.

Polícia dispara sobre... polícias

Marinha investiga incidente com lanchas

Uma lancha da Armada disparou um tiro de aviso contra uma embarcação descaracterizada da Polícia Marítima.

O Estado-maior da Armada abriu um inquérito ao incidente que envolveu uma lancha da Marinha e uma embarcação descaracterizada da Polícia Marítima no final de Janeiro, na costa algarvia, disse hoje à Lusa o porta-voz da Armada. Foi levantado «um processo de averiguações, com o objectivo de apurar todos os factos, e retirar as lições aprendidas», explicou o porta-voz da Armada, João Barbosa.
No incidente que ocorreu a 27 de Janeiro, uma lancha da Armada abriu fogo sobre uma embarcação descaracterizada da Polícia Marítima, que estava a realizar uma operação de vigilância costeira perto de Portimão. A Lancha de Fiscalização Rápida Pegaso da Marinha portuguesa terá disparado «um tiro de aviso para o ar», de acordo com as regras de envolvimento marítimo para aquela situação, esclareceu o porta-voz da Armada, citado pela Lusa.
Sem responder ao fogo, a embarcação da Polícia Marítima com três elementos policiais a bordo acelerou para uma distância segura, «ligando posteriormente os pirilampos rotativos» que a identificaram enquanto lancha policial.
De acordo com o responsável, «nunca esteve em risco a integridade física dos agentes da Polícia Marítima», adiantando que foi nomeado um oficial da área operacional para acompanhar esta investigação. João Barbosa acrescentou que a Marinha «não pode revelar questões de natureza operacional ou o conteúdo do inquérito», mesmo quando terminado.

domingo, 7 de Fevereiro de 2010

Crónica de Domingo

Ignorância e preconceito

"Se permitirmos que o preconceito nos cegue, nos domine, seremos em breve o mais atrasado país no círculo dos povos atrasados"

Queiramos ou não, e com todas as implicações a que isso nos obriga, Portugal passa por um período de grande conturbação económica a par de transformações sociais importantes, algumas das quais com décadas de atraso, mas inevitáveis para que o país se possa situar em breve no lugar de que tem direito na Europa: Um país vanguardista, que se orgulhava em 1975 de ter uma das Constituições mais avançadas, fazendo jus a diferentes conquistas civilizacionais de outros tempos, como foi o pioneirismo da abolição da “pena de morte” em 1867.
Mas há grandes estigmas na sociedade portuguesa difíceis de cicatrizar, egoísmo e hipocrisia difíceis de ultrapassar. Por uma questão de falta de educação cívica, pela jovem democraticidade e especialmente por uma cultura de respeito e independência, que acenta sobretudo no preconceito. Preconceito é uma doença. Não do corpo, mas da alma. As pessoas com essa doença pensam normalmente tudo turvo, enxergam tudo errado. Por exemplo, acham que uma criança pelo facto de o ser, não sabe de nada, que um velho não pode mais ser feliz, que só os jovens bonitos podem amar, que a gente deve desconfiar de pessoas diferentes de nós, que todos os pobres são perigosos e todos os ricos são maus. Todas essas coisas bailam na generalidade do espírito português.
Ao contrário do que muita gente acredita, as crianças pensam – e é fascinante descobrir os jeitos e modos de lhes falar de coisas que pensamos elas desconhecerem – e às quais estão expostas actualmente, e saber-mos depois que esses temas já lhes são conhecidos. Coisas com as quais nós em pequenos nem sequer sonhavamos. Nos adultos, a coisa é diferente, e por vezes toma aspectos de um negativismo atróz. Comentar por exemplo – como já ouvi, o que deveria ser considerado de antipreconceito, o facto de pessoas com deficiências dramáticas, em lugar de estar em asilos ou escondidas em casa, praticarem desportos, com excelentes resultados, bem preparadas, que ganham medalhas e estiveram em destaque a participar nas Paraolimpíadas de Pequim.
Nessas competições, rapazes cegos jogam futebol, orientando-se pelo ruído dos guizos dentro da bola. Raparigas em cadeira de rodas jogam basquetebol. Até ouvi uma jovem mãe, de sorriso rasgado, elogiando ("O meu filho é um grande homem..."). Era, um rapaz que nasceu sem as mãos, e foi campeão em atletismo. E os nadadores, que estiveram esplêndidos?
Lição magnífica foram algumas das entrevistas difundidas com esses atletas: ninguém se queixou, ninguém se julgou perseguido pela má sorte, ninguém quis ser “vedeta”, ao contrário dos atletas "saudáveis" que antes ali estiveram. Quando se falou em preconceito, um rapaz, com sabedoria e maturidade, disse que para eles (deficientes) não existia preconceito, existia sim o amor de viver a vida, que procuram viver da melhor forma possível. Aqueles rapazes e raparigas sabem que os mais duros obstáculos nos esmagam, se não os controlamos até onde permitem as nossas forças. E venceram-nos. Eles tomaram nas mãos as rédeas das suas vidas, mais difícil do que a vida da maioria de nós, que tão facilmente nos consideramos vítimas por coisas bem menos trágicas do que nascer sem mãos, sem pernas ou sem olhos.
Na terra portuguesa, o preconceito, doença que turva o nosso olhar e entorta a nossa alma, que nos diminui e embrutece, que amesquinha toda uma sociedade, é uma das enfermidades mais sérias deste nosso mundo. E atenção, não escrevo apenas do preconceito contra os deficientes nem do preconceito contra muçulmanos, cristãos, negros, gays, índios ou brancos. Não me refiro apenas ao preconceito contra pobres ou ricos, mas também ao lamentável preconceito contra a classe média. Contra isso que alguns promotores do ódio de classes (políticos) chamam indiscriminadamente "as elites". Que incluem bancários, professores, auxiliares de escritório, motoristas, domésticas, empregados(as) de balcão, trabalhadores em geral. Isto é, os que não dependem totalmente da ajuda do governo.
Essa postura criminosa de tantos portugueses, tanto perturba a mente das pessoas que numa recente manifestação, li declarações nos jornais que aquela era uma manifestação "da elite". Tal intervenção, movida pelo ódio insensato e nascida da brutalidade, mostra que estamos a seguir um caminho muito perigoso. Estamos a chegar a um ponto em que os que perderam os seus bens acreditando numa instituição bancária, ou num acidente público a mãe, pai, filho, marido ou esposa, por não serem realmente pobres, não têm direito nem de sofrer.
Quem sabe acabaremos como uma sociedade em que bancários, médicos, professores, operários devem esconder-se de vergonha para não pedir esmola na rua ou não viver de doações públicas? Alguém começa a acreditar que a classe média hoje em vias de extinção, mas antes chamada de "elite", os que com o seu trabalho conseguem comer, morar, estudar, é exploradora e quer a desgraça dos demais? Se assim for, estamos tragicamente desorientados, confundindo perigosamente todas as coisas.
Há no ar um tipo de estímulo a esse ódio de classes destrutivo e antidemocrático. Que censura até os que, às vezes com incalculável sacrifício, entram numa universidade, fazem o seu mestrado, quem sabe o seu doutoramento numa universidade estrangeira – agora, exclusivamente possível só com bolsa de estudos. Sim, porque com isso e os seus conhecimentos entretanto adquiridos, eles e elas ajudariam grandemente a melhorar as condições de vida dos mais desprotegidos no nosso país.
A verdade é que, se permitirmos que essa doença maligna – o preconceito, pai do ódio e filho da ignorância – nos cegue, nos domine, seremos em breve o mais atrasado no círculo dos povos atrasados, uma manada confusa obedecendo a qualquer chibatada ideológica com que nos queiram presentear.

Carlos Ferreira
algarve.reporter@live.com.pt

sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Fim de Semana

Política
PR decide futuro de Lei num momento político delicado

Com um candidato da esquerda já no terreno, a posição de Cavaco Silva vai colocá-lo ao lado do Governo, se vetar o diploma, ou da oposição, se a promulgar.

A posição final do Presidente da República sobre a proposta de Lei das Finanças Regionais aprovada ontem pelo Parlamento na especialidade, com o sim da oposição e o não do PS, é decisiva sobre o futuro da lei. E é, apesar do esvaziar da crise política, politicamente delicada. A sua decisão será sempre lida assim: ou fica ao lado da oposição ou ao lado do Governo.
Neste caso, o poder do Presidente é reforçado. Por se tratar de uma lei orgânica - que está dentro das competências exclusivas do Parlamento -, a sua confirmação pelos deputados, após um eventual veto presidencial, obriga a que dois terços dos deputados tenham de confirmar a lei. E, com a óbvia oposição do PS, essa confirmação torna-se impossível. Resultado: um veto do Presidente põe um ponto final às pretensões da oposição.
À decisão de Cavaco terá de ser somado um outro factor: as eleições presidenciais. Com um candidato presidencial da esquerda (Manuel Alegre) já no terreno, uma eventual promulgação da lei acentuará a rota de colisão que os analistas políticos dizem existir há muito entre Belém e São Bento.
Ontem, um dia depois de o Conselho de Estado ter analisado o problema, Cavaco Silva insistiu no consenso entre as partes, manifestando-se esperançado em que "predomine o espírito de compromisso e a abertura ao diálogo" entre Governo e oposição para "vencer os desafios estruturais" do País.
"O Conselho de Estado fez votos para que na Assembleia da República predomine o espírito de compromisso e de abertura ao diálogo paciente e frutuoso, por forma a que Portugal possa vencer os desafios estruturais que tem pela frente. (…) tenho vindo a ser informado daquilo que lá está a acontecer, mas sobre isso não irei pronunciar-me", adiantou, à margem de uma visita a Penamacor.
Instado a comentar a falta de consenso parlamentar, Cavaco Silva foi parco nas palavras: "Sou uma pessoa de esperança. Até à última hora tenho esperança."
Apesar de nunca utilizar a pala- vra "demissão", José Sócrates sublinhou no Conselho de Estado que a aprovação da lei poderia abrir um problema político. Segundo o DN apurou junto de um conselheiro, o primeiro-ministro advertiu: "Os partidos sabem quais as consequências da apro- vação de alterações à Lei das Finanças Regionais." Ora, esse cenário chegou a estar implícito nas conversas com a oposição.
O tom do primeiro-ministro terá sido de "alguma crispação", segundo a mesma fonte. Mais resguardado, esteve Cavaco Silva cujo discurso foi similar ao que ontem continuou a veicular e que teve por base a "estabilidade política e a negociação". Quanto aos restantes conselheiros, o sinal transmitido foi sempre de "união e compromisso" como veio a reflectir a comunicação final. Calmo, Alberto João Jardim seguiu as pisadas do PR e nem comentou a Lei das Finanças Regionais. O tema dominou o Conselho de Estado. Afinal, Finanças Regionais eram, ontem, sinónimo de governabilidade.

por MANUEL CARLOS FREIRE / http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1487264


Pesquisa
Blogs começam a perder a graça para os adolescentes


Os jovens começam a deixar os blogs para trás em busca de formas mais rápidas e curtas de se comunicar.
Essa é conclusão de um estudo feito pela Pew Research Center, nos Estados Unidos. A pesquisa aponta que os internautas mais jovens perderam o interesse nos blogs e estão se voltando cada vez mais para formas curtas e portáteis de comunicação pela rede. A popularidade dos blogs entre os mais velhos, no entanto, se mantêm inalterada, afirmou a Pew.
Segundo o levantamento, o número de jovens internautas americanos entre 12 e 17 anos que escrevem em blogs caiu de 28% para 14% desde 2006. No mesmo período, os adolescentes que disseram ter feito comentários em blogs de amigos caiu de 76% para 52%. Na contramão da tendência adolescente, a proporção de adultos que disseram manter um blog se manteve estável desde 2006, ao redor dos 10%.
De acordo com os coordenadores da pesquisa, o desinteresse dos jovens pelos blogs está relacionado ao surgimento de outras ferramentas mais atrativas a esses grupos. Os adolescentes têm preferido, segundo mostra o estudo, colocar postagens mais curtas em micro-blogging e sites de redes sociais, como o Twitter e o Facebook, que permitem o envio mais rápido de mensagens - inclusive pelo celular.
Ainda de acordo com o estudo da Pew, 73% dos adolescentes americanos disseram usar sites de relacionamento social atualmente, contra 55% em novembro de 2006 e 65% em fevereiro de 2008. A pesquisa indica ainda um aumento da popularidade do acesso à internet pelo celular - 55% dos jovens entre 18 e 29 anos e 27% dos adolescentes de 12 a 17 disseram acessar a rede dessa maneira.
A pesquisa aponta também que, ao contrário do que posss parecer, o uso de micro-blogging faz mais sucesso entre os adultos jovens do que entre os adolescentes. Segundo o estudo, apenas 8% dos adolescentes leem postagens ou escrevem no Twitter, contra 19% dos adultos maiores de 18 anos. Na faixa etária entre os 18 e os 29 anos, o uso da rede de micro-blogging chega a 37%.


Cyberdependência
Passa muito tempo na internet? Isso pode ser mau sinal

As pessoas que passam muito tempo na internet e que, consequentemente, abdicam de outros aspectos da sua vida, são cinco vezes mais deprimidas do que os utilizadores que fazem um uso saudável da mesma.

Quem o defende é um grupo de investigadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido. "A nossa pesquisa mostrou que o uso excessivo da internet está associado à depressão, mas ainda não sabemos o que vem primeiro - se as pessoas deprimidas são atraídas pela internet ou se a internet causa depressão", disse Catriona Morrison, uma das autoras do estudo. "Agora precisamos de investigar a natureza desta relação e avaliar a questão da causa", acrescentou. O estudo, que entrevistou 1.319 pessoas entre 16 e 51 anos, foi divulgado na revista especializada Psychopathology.
Segundo os investigadores, houve um pequeno grupo de 18 utilizadores (1,2%) que desenvolveu um hábito compulsivo de uso da internet, substituindo a interacção social da vida real, por salas de chat e sites de encontros. Estas pessoas também apresentavam níveis moderados a graves de depressão. "A internet tem muita importância na vida moderna, mas os benefícios são acompanhados por um lado mais sombrio", afirmou Catriona Morrison. "Enquanto muitos de nós usamos a internet para pagar contas, fazer compras e enviar emails, existe uma pequena parte da população que acha difícil controlar o tempo que passa online, até ao ponto em que isto interfere com as suas actividades diárias", concluiu a investigadora.
Para Vaughan Bell, do Instituto de Psiquiatria do King's College em Londres, o pequeno grupo de pessoas, identificadas como "viciadas na internet", têm problemas emocionais e as conclusões do estudo "não são uma grande surpresa". "Existem, verdadeiramente, pessoas deprimidas ou ansiosas para quem a internet se sobrepõe ao resto de suas vidas, mas existem pessoas com casos parecidos que vêem muita televisão, refugiam-se em livros ou compram compulsivamente”, explicou.


Exportações
"Made in China" ou "Comprado pela China"?

A China continua a ser "a fábrica do mundo", mas nos últimos dois anos tornou-se também um grande investidor internacional, empenhado em diversificar as suas colossais reservas em divisas.

O último grande negócio noticiado em Pequim, no valor de 956 milhões de dólares (682 milhões de euros), diz respeito à compra de uma participação na empresa financeira britânica Apax Partners. Como noutras operações idênticas, a aquisição é feita nome da CIC (China Investment Corporation), um fundo soberano criado em 2007 pelo governo chinês com um capital de 200 mil milhões de dólares (142 mil milhões de euros). Aquele valor corresponde a 8,3 por cento das reservas da China em divisas, as maiores do mundo e que no final de 2009, somavam 2,4 mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros).
Segundo também revelou hoje a imprensa oficial, a CIC está em conversações com o grupo italiano Enel SpA para comprar uma participação na Enel Green Power. O sector da energia é, aliás, um dos que mais tem atraído a CIC. Em novembro passado, o fundo chinês investiu 2,2 mil milhões de dólares (1,57 mil milhões de euros) na empresa norte-americana AES e um mês antes, na Rússia, comprara 45 por cento das ações da Nobel Oil Group por 300 milhões de dólares (214 milhões de euros). Também no ano passado, a CIC comprou 17,2 por cento de uma grande empresa mineira canadiana, por 1.500 milhões de dólares (1.070 milhões de euros) e 11 por cento de uma companhia estatal do Kazaquistão.
Os primeiros investimentos da CIC, feitos em duas instituições financeiras norte-americanas, nas vésperas da crise global, não foram propriamente um sucesso, mas, no conjunto, os resultados são considerados positivos.
No final de 2009, o património do fundo estava estimado em quase 300.000 milhões de dólares (214.200 milhões de euros). "Em termos técnicos, a CIC tem do melhor que há na China", disse um diplomata europeu sobre os quadros do fundo soberano chinês.
Em 2008, a revista norte-americana Time incluiu o presidente da CIC, Lou Jiwei, entre as "100 personalidades mais influentes do mundo". Ex-vice-ministro das Finanças, nascido em 1950 e formado em economia, Lou Jiwei é também membro suplente do Comité Central do Partido Comunista Chinês. O "número dois" da CIC, Gao Xiqing, três anos mais novo que Lou Jiwei, estudou nos Estados Unidos e trabalhou numa empresa da Wall Street, em Nova York. Entre os dez membros do Conselho de Administração figura uma mulher, Hu Xiaolian, vice-governadora do banco central, e o mais novo, Liu Shiyu, director não-executivo, tem 49 anos.
Cerca de um terço das reservas chinesas está investido em títulos do Tesouro norte-americano, mais ainda sobra muito para outros negócios. A economia chinesa, entretanto, continua com um elevado índice de crescimento: 8,7 por cento em 2009 e 10 por cento este ano, segundo as previsões do FMI.


Fama
O empresário que aluga famosas

Richard Lugner paga 150 mil dólares a celebridades para o acompanharem no baile da ópera de Viena

O que é que Pamela Anderson, Paris Hilton, Sophia Loren, Nicolette Sheridan, Raquel Welch têm em comum? Além de famosas e ricas, foram todas fotografadas ao lado de Richard Lugner, um empresário da construção civil austríaco conhecido por andar sempre rodeado de beldades.
Aos 77 anos, o "argamassa", como é chamado na Áustria, prepara-se para mais um date de sonho: Lindsay Lohan vai sentar-se ao seu lado no baile da ópera de Viena, um dos eventos mais badalados da Áustria. "Como?" é a pergunta que se impõe, embora a resposta esteja na ponta da língua dos mais invejosos: o dinheiro. Talvez por isso, Richard Lugner seja conhecido, entre outras coisas, como o aluga-celebridades. Em entrevista ao "New York Post", o empresário confessou pagar 150 mil dólares (€106.000) pela companhia de uma celebridade.
Claro que os seus créditos não ficaram em mãos alheias, não fosse ele um empresário de sucesso. Como contrapartida exige que, além de o acompanharem no evento, as celebridades façam uma sessão de autógrafos num dos seus centros comerciais em Viena. E foram muitas as mulheres que aceitaram as suas condições: nomes tão prováveis como Paris Hilton e Pamela Anderson, mas também as improváveis Sophia Loren ou Andie MacDowell. Para este ano, o empresário vai ficar-se pela segunda escolha, depois de ter "despedido" a primeira opção: Katie Price, concorrente a um reality show inglês, que falou sobre o convite aos tablóides antes do tempo.
Privar com Lindsay Lohan não será, contudo, tarefa simples, já que a cantora e actriz americana está a recuperar de um problema de alcoolismo. "O agente pediu-nos para assegurarmos que ela não bebe álcool durante a viagem e estadia", disse Lugner, que ordenou, entretanto, que fossem retiradas todas as bebidas do minibar da suite onde Lohan vai ficar instalada. "E pedi aos empregados do hotel para não lhe servirem qualquer bebida. Apenas água mineral", acrescentou.
Há 19 anos que Richard Lugner paga a celebridades para o acompanharem no baile da ópera de Viena. A primeira famosa a sentar-se no seu camarim foi a discreta Sophia Loren. Depois, os gostos de Richard mudaram passando a convidar mulheres como Pamela Anderson, Carmen Electra e até a ex-spice girl Gerry Halliwell. Em 1999, o empresário foi acusado de desprestigiar o evento, numa altura em que tentava trazer a ex-secretária de Bill Clinton, Monica Lewinsky. Mas o convite nunca chegou ao outro lado do Atlântico.

Brandos costumes”, onde?Cobranças difíceis: Jaguar do marido de Sónia Araújo explode

Vítor Martins foi sócio de Aurélio Palha, empresário assassinado à porta da discoteca Chic.

O fogo que destruiu o automóvel do marido da conhecida apresentadora da RTP Sónia Araújo, na noite de terça-feira, em Vila Nova de Gaia, terá resultado de uma acção de cobranças difíceis. Um aviso em forma de ameaça. Ao que o i apurou, é essa a linha de investigação que está a ser seguida pela Polícia Judiciária do Porto, que se deslocou ao local após o incêndio que atingiu o jaguar de Vítor Martins.
O i soube que o empresário da restauração terá várias dívidas, nomeadamente com fornecedores, em montantes avultados. A Polícia Judiciária, que continuava ainda ontem a realizar perícias ao automóvel, tenta agora identificar os autores do fogo posto. O empresário não mora na rua onde incêndio aconteceu, mas era várias vezes visto no local, pelo que a polícia acredita que os seus movimentos terão sido estudados pelos suspeitos. Vítor Martins estava a assistir ao jogo de futebol entre o Porto e o Sporting - tinha deixado o Jaguar descapotável estacionado na rua do escritório de um amigo e sócio com quem fora ao Estádio do Dragão.
Por volta das 21h00, os moradores da Rua Adelino Amaro da Costa ouviram uma grande explosão. Alguns dos que vieram à rua, assustados, viram um Audi A3 passar a grande velocidade, segundos após o incêndio ter início. A PSP e os Sapadores Bombeiros de Vila Nova de Gaia chegaram momentos depois, quando os moradores tentavam apagar as chamas, recorrendo a extintores. Cinco carros que estavam estacionados ao lado do Jaguar verde foram também afectados pelo fogo e um dos moradores chegou mesmo a retirar o seu Renault Clio do lugar para as chamas não lhe chegarem.

Fonte: http://www.ionline.pt/conteudos/home.html

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010


A liberdade e os seus falsos amigos
por FERNANDA CÂNCIO

Não sei quando é que se cunhou a ideia de que se "se vivem tempos maus pa- ra a liberdade de expressão". Não me lembro por exemplo de ter ouvido tal coisa quando o jornalista João Carreira Bom foi dispensado do Expresso por ter escrito uma crónica a chamar rei do tele-lixo a Balsemão - crónica que o então director do Expresso (agora no Sol) disse só ter sido publicada por não a ter lido antes. Ou quando Joaquim Vieira saiu do mesmo jornal por, segundo ele, divergências com o director em relação à redacção de uma notícia sobre Joe Berardo, anunciado accionista da SIC. Ou quando em 2008 Dóris Graça Dias denunciou a não publicação de um seu texto sobre um romance de Miguel Sousa Tavares, cronista do jornal.
Os três casos, mais aquele que ocorreu no DN quando em Agosto de 2004 a direcção de Fernando Lima decidiu não publicar uma crónica minha por ser "política", podem ser qualificados como clássicos atentados à liberdade de expressão. Foram até denunciados como "censura". No entanto, não só não foram pretexto para caracterização de "um clima" como parecem, inexplicavelmente, ter-se varrido da memória dos que, caso do director actual do Expresso, declaram nunca ter visto ou feito algo de parecido.
Quando Henrique Monteiro, que recusou a publicação de uma crítica literária alegando "não se tratar de uma crítica mas de um ataque ao autor", afirma que nunca viu nada de parecido com um director de jornal exprimir dúvidas a um cronista sobre o conteúdo de uma crónica quanto aos factos que imputa a outrem sem ser deles testemunha directa e considera isso "censura" estamos perante aquilo a que se chama double standard. Traduzindo: o que eu faço está sempre acima de suspeita, o que tu fazes é sempre suspeito.
Esta dualidade de critérios que permite "suspeitos por natureza" implica que pessoas e meios deixem de ser julgados pelo que efectivamente dizem e fazem e passem a ser condenados a priori, com base numa alegada "relação com o poder" (entendido como o governo, ou não existissem outros poderes, políticos ou não). O isolamento e abjecção de todos os que tenham o azar de ser assim identificados concretiza-se num vocabulário persecutório e insultuoso: "situacionistas", "oficiosos", "sequazes", "vendidos". Quem os chama assim são, claro, os independentes e desinteressados - não há motivações torpes a não ser as que se relacionem, com ou sem fundamento, com o tal "poder".
Que ao estabelecer esta divisão os "livres" estejam a fazer exactamente aquilo de que acusam o "poder" - criar uma classe de párias e pressionar, condicionar e conspirar para anular a expressão da liberdade é uma ironia que não escapará, felizmente, a toda a gente. Os tempos estão maus, sim, mas não tanto que se possa usar o nome da liberdade para acabar com ela.

Ùltima hora

Finanças Regionais:
Jaime Gama assinou o despacho que adia votação

A nova Lei das Finanças Regionais já não será votada hoje no plenário da Assembleia da República.

Jaime Gama assinou ontem, ao início da noite, o despacho que remeteu a lei aprovada na Comissão do Orçamento e Finanças para audição das Assembleias legislativas regionais dos Açores e da Madeira.
O PS Açores estava preparado para pedir a inconstitucionalidade da lei caso o Parlamento aprovasse o diploma sem ouvir as assembleias regionais.
O deputado do PSD, Guilherme Silva, já veio reagir e garante que o despacho, depois de o ter consultado, não implica o adiamento da votação do diploma.

Bilhete Postal

Os novos pobres

A crise quando chega toca a todos, e eu já não sei se hei-de ter pena dos milhares de homens e mulheres que, por esse país, fora, todos os dias ficam sem emprego se dos infelizes gestores do BCP que, por iniciativa de alguns accionistas, poderão vir a ter o seu ganha-pão drasticamente reduzido em 50%, ou mesmo a ver extintos os por assim dizer postos de trabalho.
A triste notícia vem no DN: o presidente do Conselho Geral e de Supervisão daquele banco arrisca-se a deixar de cobrar 90.000 euros por cada reunião a que se digna estar presente e passar a receber só 45.000; por sua vez, o vice-presidente, que ganha 290.000 anuais, poderá ter que contentar-se com 145.000; e os nove vogais verão o seu salário de miséria (150.000 euros, fora as alcavalas) reduzido a 25% do do presidente.
Ou seja, o BCP prepara-se para gerar 11 novos pobres, atirando ainda para o desemprego com um número indeterminado de membros do seu distinto Conselho Superior.
Aconselha a prudência que o Banco Alimentar contra a Fome comece a reforçar os "stocks" de caviar e Veuve Clicquot, pois esta gente está habituada a comer bem.



Lei das Finanças Regionais

PS/Açores promete pedir inconstitucionalidade

Partido defende que a Assembleia Regional «deveria ser ouvida». Ferreira Leite sai em silêncio do encontro em São Bento.

O PS/Açores promete pedir a declaração de inconstitucionalidade da Lei das Finanças Regionais, caso o plenário da Assembleia da República aprove as alterações propostas.
«Se as alterações forem aprovadas no parlamento nacional, vamos pedir a inconstitucionalidade da lei», afirmou fonte partidária citada pela Lusa.
Na perspectiva dos socialistas açorianos, «com as alterações que se pretendem introduzir, a lei passa a ser completamente diferente», pelo que a Assembleia Legislativa Regional «deveria ser ouvida». «É um assunto que diz respeito à região, pelo que o parlamento regional deveria ter sido ouvido, o que não aconteceu», frisou a fonte do PS/Açores.
As alterações à Lei das Finanças Regionais foram, esta quinta-feira, aprovadas em comissão parlamentar com os votos favoráveis dos partidos da oposição e deverão ser votadas sexta-feira no plenário da Assembleia da República.

Primeiro-ministro chamara a líder do PSD de urgência

Manuela Ferreira Leite saiu de São Bento ao início desta noite sem fazer qualquer declaração aos jornalistas. A líder do PSD fora chamada à residência oficial do primeiro-ministro de urgência por José Sócrates.
Em cima da mesa deste encontro, em que não participou qualquer outro líder da oposição, terá estado a crise política desencadeada por causa da alteração da Lei das Finanças Regionais.
Em São Bento esteve também o ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos. O governante deixou a residência oficial do primeiro-ministro pouco depois.
Teixeira dos Santos agendou uma declaração à imprensa para as 20h00 desta quinta-feira.

Bandidagem à solta

Ladrões traídos por alarme em Lagos

Um suspeito de assaltar residências foi detido, mas outros dois conseguiram fugir.

A GNR deteve quarta-feira, em Lagos, um homem suspeito de furtos em residências na Vila da Luz. A detenção ocorreu na sequência de uma acção desencadeada após o alarme de uma habitação em Montes Lermos ter sido accionado.
O homem, de 29 anos, foi detido pela patrulha que se deslocou à residência, mas outras duas pessoas conseguiram fugir do local, informou a GNR, precisando que os três homens se encontravam num veículo parado num acesso à habitação.
«Ao aproximar-se, (a patrulha) verificou que do veículo saia um indivíduo que falava ao telemóvel, seguido de mais dois com vultos debaixo dos braços, que se puseram em fuga ao aperceberem-se da presença da GNR», explicou a força de segurança num comunicado.
A GNR acrescentou que a patrulha perseguiu os fugitivos, mas só conseguiu deter um deles. A GNR apreendeu ainda um veículo, 22 doses de haxixe e 230 euros em dinheiro.
A GNR realizou, mais tarde, uma busca domiciliária à residência do detido e identificou outro homem de nacionalidade romena, de 27 anos, «que se suspeita ser um dos intervenientes no furto». Na busca, segundo a Guarda, «foram apreendidos objectos, que se suspeita serem provenientes de actividade criminosa, nomeadamente TV plasmas, computadores portáteis, televisores, bem com materiais utilizados para a execução dos furtos: facas alicates e pés de cabra».

Assaltos no Alentejo

Perseguição acaba na morte de assaltante

GNR interrompe assalto e é atacada a tiro ao tentar apanhar grupo responsável por carjacking em Barrancos. Dois dos homens ainda estão em fuga.

Um morto e dois detidos é o resultado da caça ao homem. Uma operação de busca levada a cabo pela GNR e pela Polícia Judiciária aos homens que tentaram assaltar, ontem, uma mulher através do método de carjacking, perto de Barrancos. Há ainda dois suspeitos a monte.
Os assaltantes foram surpreendidos pela GNR em plena tentativa de assalto. A vítima é uma professora que ia dar aulas em Cuba, no Alentejo. Na resposta, os homens dispararam tiros de caçadeira e puseram-se em fuga. Furtaram depois uma carrinha, sucedeu-se nova troca de tiros, que resultou na morte de um dos assaltantes e na captura de dois dos fugitivos.
A GNR tem, nesta altura, montada uma operação para apanhar os dois suspeitos que ainda estão a monte. Estão armados e são considerados perigosos.
«Ao início da manhã de ontem», a GNR foi informada de outra situação de «carjacking», concretizado na zona de Santo Aleixo da Restauração (Moura)», revelou fonte da GNR, contactada pela Agência Lusa. No âmbito da operação policial, uma patrulha cruzou-se, cerca das 08:30, com a viatura roubada, na qual «seguiam três indivíduos, que novamente ameaçaram os militares com recurso a arma de fogo».
Ao desobedecerem a uma ordem de paragem, «os militares dispararam sobre o veículo automóvel para o imobilizar, tendo um dos tiros atingido o condutor, que empunhava uma arma na direcção do veículo da GNR», informa a GNR, concluindo que «da acção resultou a morte de um suspeito» e os outros dois que seguiam na viatura «acabaram por ser detidos, sem oferecer resistência», acrescenta a GNR, sem revelar as idades dos assaltantes.
No interior do veículo roubado foram encontradas «duas armas, uma caçadeira e uma pistola de calibre de guerra», que foram «apreendidas». Quando um elemento das forças policiais dispara e atinge alguém durante as suas funções, a Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) procede sempre à abertura de um processo de averiguações como está estabelecido na lei.

A novela "Os Protagonistas"

"Balsemão e Crespo são minhas testemunhas"

Jornalistas contra Sócrates: Manuela Moura Guedes diz que "Balsemão é o melhor patrão da comunicação social, como prova agora de novo com o Mário Crespo", afirma a jornalista da TVI.

Francisco Pinto Balsemão, Paulo Portas e Mário Crespo receberam o convite de Manuela Moura Guedes e aceitaram ser testemunhas no processo-crime da jornalista da TVI contra o primeiro-ministro, José Sócrates. Moura Guedes explica as razões que a levaram a convidar Pinto Balsemão e Paulo Portas: "Foram os dois jornalistas e políticos, e em ambas as condições sempre respeitaram a liberdade de informação. " E acrescenta: "Francisco Pinto Balsemão é o melhor patrão da comunicação social. Fossem todos como ele e Portugal seria diferente de certeza. Veja-se agora o caso que envolveu Mário Crespo."
A ex-directora-adjunta de informação da TVI acrescenta ao rol de testemunhas o jornalista do canal de Queluz de Baixo Carlos Enes. "Trabalhou muitos anos comigo, é um grande profissional, seriíssimo e conhece bem o modo como sempre funcionou o Jornal Nacional de Sexta-Feira, de acordo com todas as regras do jornalismo.
"Sobre o próprio Mário Crespo, que completa o quadro de testemunhas ligadas à comunicação social, diz Manuela Moura Guedes: "É um grande profissional, que conheço muito bem, um jornalista de grande qualidade, com quem trabalhei no Jornal das Nove, na RTP, e com quem muito aprendi.
"Quanto ao "caso Mário Crespo", diz que é mais uma demonstração da personalidade de José Sócrates: "Há quem não se habitue à liberdade de informação e não consiga aceitá-la." Mais: "O primeiro-ministro nunca desmentiu as notícias do Jornal Nacional. Se desmentisse e se não fossem verdadeiras, eu teria de fazer mea culpa, obviamente".
Ao contrário de Pinto Balsemão, afirma Manuela Moura Guedes: "Como político, quando foi primeiro-ministro, era criticado todos os dias no jornal de que era proprietário - o "Expresso" - e nunca reagiu em público. Esteve do outro lado e nunca procurou interferir. É por tudo isto que tenho o maior respeito por ele na sua qualidade de patrão da comunicação social." O processo-crime movido a José Sócrates resulta das palavras proferidas pelo primeiro-ministro no Congresso do Partido Socialista em Março de 2009 e depois numa entrevista na RTP em Abril, quando atacou directamente Manuela Moura Guedes e o Jornal Nacional de Sexta-Feira, que acabou por ser retirado da antena do quarto canal, tal como a própria jornalista, hoje de baixa médica. Moura Guedes afirma que não estão em causa as pressões de políticos sobre jornalistas, porque "todos os políticos se queixam e todos fazem pressões, ou tentam fazer".
A jornalista acrescenta que outra das suas testemunhas no processo contra José Sócrates, o presidente do CDS, Paulo Portas, chegou a enviar-lhe "uma carta muito formal" em tempos com várias queixas, "de um ministro da Defesa para uma jornalista, o que é legítimo". O que não podem, ou não devem, acrescenta, "é atacar o direito à liberdade de informação, como fez o primeiro-ministro. Nunca vi nada semelhante".
Manuela Moura Guedes termina as suas declarações afirmando que processa o primeiro-ministo, por considerar que os tribunais costumam ser os locais apropriados para resolver estas questões. "Digo costumam, porque eu espero que assim seja. Ainda tenho esperança", termina.
Ontem também a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, através do seu conselho regulador, emitiu um comunicado em que informa ter iniciado "a discussão sobre o dito 'caso Mário Crespo'", aproveitando para o efeito a "reunião ordinária de quarta-feira". Mais informa "que, até ao momento, foram recebidas nesta entidade várias queixas que deram origem à abertura de um processo a instruir nos devidos termos". Numa entrevista de ontem, Crespo garantiu que apresentaria queixa à ERC na terça-feira.

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

O que se escreve por aí...

Mário Crespo: Manifesto contra os Palhaços‏

O palhaço

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco.
E diz que não fez nada.
O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado.
O palhaço é um mentiroso.
O palhaço quer sempre maiorias.
Absolutas.
O palhaço é absoluto.
O palhaço é quem nos faz abster.
Ou votar em branco.
Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços.
O palhaço coloca notícias nos jornais.
O palhaço torna-nos descrentes.
Um palhaço é igual a outro palhaço.
E a outro.
E são iguais entre si.
O palhaço mete medo.
Porque está em todo o lado.
E ataca sempre que pode.
E ataca sempre que o mandam.
Sempre às escondidas.
Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo.
Seja a instaurar processos.
Seja a arquivar processos.
Porque o palhaço é só ruído de fundo.
Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos.
E ele vende-se por isso.
Por qualquer preço.
O palhaço é cobarde.
É um cobarde impiedoso.
É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores.
Depois diz que não fez nada.
Ou pede desculpa.
O palhaço não tem vergonha.
O palhaço está em comissões que tiram conclusões.
Depois diz que não concluiu.
E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos.
O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas.
O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas.
E nos tribunais.
Também.
O palhaço não tem género.
Por isso, para ele, o género não conta.
Tem o género que o mandam ter.
Ou que lhe convém.
Por isso pode casar com qualquer género.
E fingir que tem género.
Ou que não o tem.
O palhaço faz mal orçamentos.
E depois rectifica-os.
E diz que não dá dinheiro para desvarios.
E depois dá.
Porque o mandaram dar.
E o palhaço cumpre.
E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes.
Mas deixa depositantes na rua.
Sem dinheiro.
A fazerem figura de palhaços pobres.
O palhaço rouba.
Dinheiro público.
E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou.
Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta.
Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal.
Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer.
Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria.
E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer.
Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha.
O palhaço é inimputável.
Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político.
Este é o país do palhaço.
Nós é que estamos a mais.
E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar.
A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço.




Mau tempo está de volta

Vento, frio, chuva e ondas altas regressam

Sete distritos do sul de Portugal em alerta amarelo. Ondas com dois a três metros.

O Instituto de Meteorologia (IM) colocou em aviso amarelo o arquipélago da Madeira e sete distritos do sul de Portugal devido à intensidade de chuva e do vento que se preveem para esta quarta-feira, escreve a Lusa.
Em aviso amarelo estão os distritos de Lisboa, Santarém, Portalegre, Setúbal, Évora, Beja e Faro. Para estes distritos, as previsões do IM apontam para períodos de chuva ou aguaceiros na região sul, estendendo-se gradualmente para norte, temporariamente fortes, e acompanhados por trovoada.
Na costa sul de Portugal Continental, a previsão do IM aponta para ondas de sueste com uma altura de dois a três metros, aguaceiros e vento moderado a forte, com rajadas que podem atingir os 80 quilómetros por hora nas terras altas. As temperaturas máximas atingem hoje os 15 graus Celsius no Porto, 13º em Lisboa e 16º em Faro.

Conselho de Estado

Cinco horas para encontrar um «espírito»...

Sócrates apenas declarou que «correu muito bem» e Alberto João Jardim o que quer é um «bom carnaval»

A reunião do Conselho de Estado terminou ontem, terça-feira às 21:45, quase cinco horas depois do seu início, tendo sido Jaime Gama o primeiro a sair, logo seguido do ex-presidente da República Mário Soares, ambos sem prestar declarações.
Alberto João Jardim também não prestou declarações aos jornalistas, limitando-se a desejar um «bom carnaval». O primeiro-ministro saiu pouco depois e questionado apenas afirmou que o encontro «correu muito bem».
Depois da saída de todos os membros, o secretário do Conselho de Estado, António Macedo Almeida, fez uma curta declaração aos jornalistas.
«O Conselho de Estado reunido hoje faz votos para que predomine na Assembleia da República o espírito de compromisso e de diálogo paciente e frutuoso que permita ao país enfrentar os desafios estruturais que tem à sua frente», disse.

Última oportunidade para evitar crise política

Neste Conselho de Estado realizado ao final da tarde de quarta-feira, tinha a ameaça de uma crise politica em pano de fundo. O Presidente da Republica juntou no Palácio de Belém José Sócrates e Alberto João Jardim, os dois principais protagonistas da polémica sobre as alterações à lei das finanças regionais.
Nunca foram divulgadas oficialmente as razões que levam Cavaco Silva a chamar os conselheiros de estado para uma reunião, mas não será coincidência o facto do encontro acontecer na véspera da votação das alterações à lei das finanças regionais.
O ministro das finanças já fez saber que não aceita continuar no Governo se as alterações à lei das finanças regionais forem aprovadas, porque significam um aumento injustificado das despesas do estado. A expectativa é saber se José Sócrates também apresentará a demissão.
Por agora, as posições estão irredutíveis: a oposição promete aprovar em bloco amanhã as alterações à lei. Foi neste cenário que se reuniu o Conselho de Estado, com os protagonistas frente e frente e várias opiniões em cima da mesa.
Um dos conselheiros, Vítor Bento, considera, porém, que a polémica sobre as transferências financeiras para a Madeira é desnecessária, sugerindo que a Madeira devia ajudar as regiões portuguesas mais pobres. «A Madeira tem um rendimento per capita superior a muitas regiões de Portugal, por isso, não consigo perceber o porquê das transferências» para a Região, referiu à Antena 1, considerando que «a Madeira é que devia ajudar as regiões mais pobres de Portugal». O Conselho de Estado pode ter sido a ultima esperança de um acordo perante a ameaça de uma crise politica.

SIDA no Algarve

Região planeia mais de 100 rastreios em 2010

Tirar dúvidas e obter esclarecimentos sobre a infecção da sida, de forma gratuita, anónima e confidencial, em centros de saúde e noutros pontos da região, é um dos objectivos.

O Centro de Aconselhamento e Detecção Precoce da Infecção pelo VIH/sida (CAD), do Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde do Algarve, IP, pretende realizar mais de uma centena de sessões de rastreios do VIH/sida em 2010. O público poderá, nestas sessões, tirar dúvidas e obter esclarecimentos sobre a infecção da sida, de forma gratuita, anónima e confidencial, em centros de saúde e noutros pontos da região.
A iniciativa tem o apoio do Instituto da Droga e da Toxicodependência, IP, dos Serviços Médicos da Universidade do Algarve (Gabinete de Psicologia e de Apoio Psicopedagógico) e do Centro Comercial Continente de Portimão.Durante 24 dias, espalhados entre Janeiro e Junho, o CAD vai marcar presença, com a unidade móvel, no recinto da Universidade do Algarve, sensibilizando a população para a importância da detecção precoce da infecção e disponibilizando testes rápidos para a detecção do VIH (com resultado em 15 minutos).
Serão efectuadas, ainda, mais de 70 sessões de rastreio em oito centros de saúde (Aljezur, Lagoa, Lagos, Silves, Quarteira, Albufeira, Castro Marim, Vila Real de Santo António), dos três agrupamentos dos centros de saúde da região (Barlavento, Central e Sotavento).
Uma vez por mês será o Centro Comercial Continente, em Portimão, a acolher sessões de rastreio do VIH/sida.A sida (síndrome de imunodeficiência adquirida) é uma doença provocada pelo VIH (vírus da imunodeficiência humana), que ataca o sistema imunitário do organismo, destruindo as suas defesas, tornando a pessoa mais vulnerável a outras doenças.
De salientar que qualquer pessoa, independentemente do seu género, idade, orientação sexual ou estado civil, pode infectar-se. O VIH transmite-se através de três formas: relações sexuais sem preservativo (sexo oral, vaginal e anal), partilha de seringas, agulhas ou material cortante com sangue infectado e de mãe para filho, durante a gravidez, parto ou amamentação.
O vírus VIH não se transmite através de picada de insectos, aperto de mão, abraços e beijos, partilha de pratos, talheres ou copos, uso de casas de banho, conversas ou contactos sociais.