Sábado, 8 de Novembro de 2008

Nem os “salvados” resistem

A crónica anunciada de uma cheia em Albufeira

“Desta vez e para infortúnio dos Albufeirenses, os astros ou qualquer outra entidade divina, não estavam lá para proteger Desidério Silva e todos ficamos a perceber e a sentir o preço da incompetência associada à negligência!”

São afirmações do líder PS de Albufeira, deputado David Martins, o qual convocou uma conferência de imprensa para apresentar em pormenor aquilo que diz ter dado origem às recentes cheias ocorridas no centro antigo de Albufeira, apresentando um documento demolidor para a responsabilidade dos autarcas liderados pelo actual presidente da Câmara Municipal.
O documento começa por explicar que “no ano de 2000 foi aprovado em Conselho de Ministros o Plano Estratégico para a Intervenção Polis em Albufeira, tendo mais tarde vindo a ser constituída uma sociedade de capitais exclusivamente públicos, em que estado português detém 60% do capital e a autarquia da Albufeira 40% do capital social. Foi esta sociedade que ficou responsável por implementar, gerir e executar o programa Polis Albufeira, e facto público e notório, foi a permanente presença, acompanhamento, coordenação e liderança assumida pelo Presidente da Câmara e Administrador da Sociedade Polis SA, Desidério Jorge Silva, relativamente à intervenção Polis em Albufeira”.
Depois de se debruçar sobre as várias fases e factos da implementação das obras do Programa Polis em Albufeira, que culminaram com alguns relatórios que apontavam já para lacunas graves na sua execussão, nomeadamente no plano a implementar na Praia dos Pescadores (entre outros), David Silva considera que “o Presidente da Câmara, Desidério Jorge da Silva, teve um papel determinante, assaz decisivo, na gestão de todo este processo. Geriu entre 2002 e 2008 a sociedade Polis enquanto administrador e o município enquanto presidente, sendo o único protagonista que teve sempre acesso a toda a informação: ele estava nos dois lados - sociedade Polis e Câmara. Empenhou-se pessoalmente na condução das obras. Tinha a faculdade de mobilizar os meios, os saberes, as competências que se mostrassem necessários a garantir a adequabilidade e qualidade da intervenção, e não garantiu que os serviços da Câmara de si dependentes colaborassem na disponibilização de informação às equipas projectistas, via sociedade Polis, permitindo que um Departamento da autarquia (projectos) se tivesse empenhado no projecto Polis, bem como outro Departamento (obras municipais) os quais estiveram completamente afastados”.

O líder do PS de Albufeira acusa ainda Desidério Silva de “não ter sido capaz de ser um líder competente, e só assim se compreendem os artigos que hoje vimos publicados na comunicação social sobre o tema e subscritos por técnicos municipais. Permitiu que os projectos fossem preparados considerando a realidade existente estritamente na sua zona de intervenção. Cada projecto foi analisado e resolvido per si e para o território onde ia intervir, faltando a visão global. Não foi capaz de garantir uma adequada e correcta execução dos projectos nem da obra revelando os mesmos carências e deficiências notórias, conforme se confirma na auditoria a qual confirma um sentimento generalizado a todos os albufeirenses. Não soube e não foi sensível aos apelos, às sugestões, às criticas que foram feitas, sendo que foi o principal depositário das mesmas, particularmente não ouviu os comerciantes e os moradores da zona que repetidamente alertaram para os problemas que aí vinham. Não reagiu aos pedidos de informação que lhe foram formulados nos órgãos próprios. Foi negligente na contratação da auditoria solicitada, nem cumpriu com o pedido e a recomendação a Assembleia Municipal para que fosse pedido um parecer ao LNEC. Nunca informou a Câmara dos procedimentos administrativos em curso para a execução da pretendida auditoria”.

O deputado David Martins, conclui a sua demolidora análise sobre as responsabilidades da Autarquia nas cheias que afectaram gravemente a população do centro de Albufeira, afirmando que Desidério Silva “ao receber o primeiro relatório da auditoria solicitada à CESUR, a qual já evidenciava notórios problemas nos projectos e nas obras, nada fez, guardou o relatório na sua gaveta - durante 6 meses - até que uma grave inundação trouxe tal relatório à superfície. Negligenciou a informação que deveria, em tempo útil, ter facultado aos seus pares no conselho de administração da sociedade Polis Albufeira, permitindo assim accionar muitas das garantias das obras e de projecto, com a possibilidade de ter causado prejuízos e danos de futura e difícil reparação. Omitiu a existência de tal relatório (auditoria) aos órgãos autárquicos e quiçá aos serviços. Não criou condições para que a CESUR conclui-se o seu trabalho, faltavam 2 meses, o que quer dizer que em Junho passado poderíamos ter tido o relatório final de auditoria concluído, ou seja, antes de terem ocorrido as cheias de Setembro, e não implementou nem deu ordem para execução de nenhuma das sugestões que já eram avançadas na referida auditoria. Em síntese, ficou à espera que não chovesse na convicção e fé que os astros ou o São Pedro o ajudariam, mais uma vez, a passar incólume sem enfrentar as consequências da sua negligente gestão”.

2 comentários:

Anónimo disse...

Felizmente que existem outros meios de comunicação, outras formas de saber-mos as notícias, que não somente os jornalecos subsidiados pela Câmara. Haja Deus. E vergonha, já agora.
Gerónimo do Cerro (Albufeira)

Anónimo disse...

Cada vez estou a gostar mais deste site, pela originalidade dos temas abordados mas também pela selecção, nada fútil nem pirosa.
Sobe a notícia em questão, alguém que abra os olhos a esta gente, porque anda tudo cego. Abençoados.

Matilde - Ferreiras